Pão
Pão pita (pão sírio): a história, o bolso de vapor e a receita que abre em casa
O pão pita, que no Brasil também se chama pão sírio, é um disco fino que incha no forno e abre um bolso de vapor por dentro. Vem do Levante, no Oriente Médio, e é um dos pães mais antigos que ainda comemos hoje.

De relance
- Origem
- Líbano, Síria, Palestina, Jordânia, Levante (Oriente Médio)
- Criado em
- não aferido
- Hidratação
- de 60% a 68%
- Farinha
- trigo de força média (pão)
- Fermento
- biológico
- Tempo total
- de 2 h a 3 h
- Forno
- 250 °C
- Vapor
- não
- Temperatura interna
- não aferido
- Formato
- disco achatado
- Dificuldade
A receita
Ingredientes
| Quantidade | % do padeiro | |
|---|---|---|
| Farinha de pão (força média) | 500 g | 100% |
| Água morna | 325 g | 65% |
| Sal | 10 g | 2% |
| Fermento biológico seco | 5 g | 1% |
| Azeite | 15 g | 3% |
| Açúcar | 8 g | 1.6% |
Modo de fazer
- Misture a farinha, o sal, o açúcar e o fermento numa tigela. Junte a água morna e o azeite e misture até formar uma massa.
- Sove de 8 a 10 minutos, até a massa ficar lisa e elástica. Cubra e deixe fermentar de 1 a 1 hora e meia, até dobrar de volume.
- Divida em 8 bolas iguais. Boleie cada uma, cubra e deixe descansar 15 minutos: massa tensa não incha.
- Enquanto isso, ponha uma pedra ou uma assadeira pesada no forno e preaqueça no máximo, 250 °C ou mais, por pelo menos 30 minutos.
- Abra cada bola num disco fino e parelho, de uns 3 a 4 mm, sem deixar cantos grossos. Deixe descansar mais 10 minutos.
- Asse um ou dois discos por vez direto na pedra quente. Em 1 a 2 minutos eles incham como balão. Não abra o forno antes disso.
- Tire assim que estufarem, ainda claros ou com poucas pintas douradas. Empilhe sob um pano: o vapor preso mantém o pão macio e o bolso aberto.
A farinha certa
O pita clássico pede trigo de força média, o tipo que a gente chama de farinha de pão. Ela tem glúten suficiente para segurar o vapor enquanto o disco estufa: é essa rede elástica que aguenta a pressão do balão sem estourar. A farinha de trigo comum, de força mais baixa, também faz um pita bom e um pouco mais macio, só infla com menos garra. Farinha fraca demais, de bolo, não segura o bolso e o disco assa reto. Para o pita integral, misture parte de farinha integral com a de pão, mas não passe de um terço, porque a fibra pesa contra o balão e atrapalha a abertura.
A história
O pita nasceu no Levante, a faixa do Oriente Médio que hoje corresponde a Líbano, Síria, Palestina e Jordânia. É um pão antiquíssimo: a família dos discos achatados fermentados vem de milhares de anos atrás, de quando o forno era uma parede de barro quente e a massa grudava nela por poucos minutos.
O nome pita se espalhou pelo Ocidente pela mão dos gregos, e por isso muita gente pensa que o pão é grego. A receita, essa, é do mundo árabe e do mediterrâneo oriental, onde ele nunca deixou de ser o pão de todo dia: base do shawarma, colher comestível do homus, saco para rechear com falafel. No Brasil ele chegou com a imigração árabe e virou pão sírio, o mesmo pão com outro nome. Chame de pita ou de sírio, é o mesmo disco de bolso.
O que define
O que define o pita não é o sabor nem o formato, é o bolso. Ele se forma por vapor: a massa fina, assada num forno muito quente, vira água em vapor por dentro antes que a casca endureça. O vapor não tem para onde ir, empurra as duas faces para longe uma da outra e estufa o disco como um balão. Quando esfria, o balão murcha e sobra o bolso, aquele bolsão vazio que você recheia.
Por isso o pita pede o oposto da ciabatta. Nada de miolo alveolado e casca grossa: aqui você quer duas camadas finas e macias, que se separam limpo. A hidratação fica no meio, perto de 65%, alta o bastante para gerar vapor e baixa o bastante para abrir o disco fino sem rasgar. Fino é a palavra chave: quanto mais parelho o disco, mais limpo o vapor separa as duas faces e mais fundo fica o bolso.
Como a massa se comporta
O segredo do pita não está na massa, está no choque de calor. O forno precisa estar no máximo, 250 °C ou mais, com uma pedra ou uma assadeira pesada preaquecida por bastante tempo. É esse piso escaldante que transforma a água em vapor de uma vez e estufa o disco em um ou dois minutos.
Depois de misturar farinha, água, sal e um pouco de fermento biológico, a massa descansa até relaxar. Você abre cada bola bem fina, deixa descansar de novo (massa tensa não incha) e joga direto no forno quente. Não se usa vapor externo, ao contrário do que muita receita de pão manda: o vapor que abre o pita vem de dentro da própria massa. Não abra o forno cedo demais, o disco precisa daqueles minutos intactos para inflar. Uma dica de padeiro é pôr cada disco na pedra com a face de baixo virada para cima, porque o lado mais liso incha melhor. E se o seu forno não passa de 220 °C, faça na boca do fogão: uma frigideira de ferro no fogo alto chega mais quente que muitos fornos domésticos.
Variações
O pita branco é o mais comum, mas a versão integral, com parte da farinha trocada por integral, é tradicional e mais aromática, ainda que infle um pouco menos. Há o pita grego, mais grosso e sem bolso, feito para enrolar o gyros; e o khubz árabe, mais largo e mais fino que o pita de padaria. Pode-se pincelar com azeite e za'atar antes de assar, ou polvilhar gergelim por cima. E o que sobra e endurece não se joga fora: vira o pão torrado do fattoush, ou chips assados com azeite e sal para comer com pastas. Vizinho do pita, o laffa iraquiano é maior, mais fino e assado grudado na parede do forno taboon, sem bolso, feito para enrolar. E o pita congela muito bem: já assado e frio, vai ao freezer em saco fechado e volta macio com trinta segundos de forno quente ou uma passada rápida na frigideira.
Onde se erra
O erro que mais mata o bolso é o forno frio. Sem um piso muito quente o vapor se forma devagar, a casca endurece antes e o disco assa chato. Preaqueça de verdade, de 30 a 40 minutos com a pedra dentro.
O segundo erro é abrir a massa grossa demais ou deixar cantos mais espessos: a parte grossa segura as duas faces juntas e o bolso não fecha o círculo. Abra parelho e fino. O terceiro é assar uma massa tensa, recém-boleada: ela encolhe e resiste ao vapor, então deixe descansar antes de ir ao forno. E não abra a porta nos primeiros minutos para espiar, o resfriamento súbito faz o balão murchar antes da hora.
Perguntas frequentes
- Por que meu pão pita não abre bolso?
- Quase sempre é forno frio ou massa grossa. O bolso depende de um piso muito quente que vira a água em vapor de uma vez. Preaqueça a pedra por 30 minutos no máximo do forno e abra o disco fino e parelho, sem cantos grossos.
- Preciso de pedra de forno?
- Ajuda muito, mas dá para usar uma assadeira grossa ou uma frigideira de ferro preaquecida. O que não dá para pular é o calor: sem um piso escaldante o pita assa chato e não estufa.
- Dá para fazer pita na frigideira, sem forno?
- Dá. Numa frigideira de ferro bem quente, sem óleo, cada disco incha em pouco mais de um minuto de cada lado. O bolso sai igual, e é assim que se faz o pita na maior parte do Oriente Médio.
- Posso usar fermentação natural em vez de fermento biológico?
- Pode. O pita com levain fica mais saboroso e guarda melhor, só pede mais tempo de fermentação. O que abre o bolso é o forno quente, não o tipo de fermento, então a técnica de assar é a mesma.