Scuola di MarcoPão de padaria, feito na sua cozinha.
Idioma: PT

Pão

Croissant: a história, a técnica e a receita que funciona em casa

Por Marco FreireAtualizado 2026-07-30

O croissant tem sotaque francês, mas nasceu vienense. O encanto dele é em camadas: dezenas de folhas finíssimas de massa e manteiga que esfarelam quando você morde.

Croissant partido ao meio sobre pano de linho, mostrando um favo de camadas finas e folhadas por dentro e uma casca brilhante cor de avelã

De relance

Origem
Paris, França
Criado em
1905
Hidratação
de 48% a 58%
Farinha
T45 ou T55 (de força) · W de 180 a 280
Fermento
biológico
Tempo total
de 14 h a 24 h
Forno
200 °C
Vapor
não
Temperatura interna
de 88 °C a 96 °C
Formato
crescente laminado
Dificuldade

A receita

Rende10 croissants
Mão na massa90 min
Tempo total18 h

Ingredientes

 Quantidade% do padeiro
Farinha T45 ou T55 (de força)500 g100%
Leite integral gelado140 g28%
Água gelada140 g28%
Açúcar55 g11%
Sal10 g2%
Fermento biológico seco10 g2%
Manteiga amolecida (na massa)40 g8%
Manteiga de tourage gelada (mín. 82% de gordura)250 g50%

Modo de fazer

  1. Faça a détrempe: misture a farinha, o leite e a água gelados, o açúcar, o sal, o fermento e os 40 g de manteiga amolecida só até formar uma massa lisa, sem sovar muito (glúten forte demais briga na hora de abrir). Achate num retângulo, embrulhe e leve à geladeira por 1 hora, ou de um dia para o outro.
  2. Faça o bloco de manteiga: bata os 250 g de manteiga gelada entre duas folhas de papel até virar um quadrado de cerca de 18 cm, ainda frio mas maleável. Guarde na geladeira.
  3. Abra a détrempe num retângulo com o dobro do tamanho do bloco. Ponha a manteiga no centro e feche a massa por cima como um envelope, selando as bordas. Manteiga e massa têm que estar na mesma consistência fria: se a manteiga racha, está fria demais; se lambuza, gele tudo.
  4. Abra num retângulo comprido e dê a primeira volta simples (dobra em três, como uma carta). Embrulhe e gele 30 a 45 minutos. Repita mais duas vezes, girando 90° a cada vez e gelando entre as voltas. São três voltas simples ao todo (ou uma dupla e uma simples).
  5. Depois da última volta, gele por pelo menos 1 hora, ou de um dia para o outro. A massa precisa estar bem fria e descansada para abrir sem encolher.
  6. Abra a massa num retângulo de cerca de 3 a 4 mm. Corte triângulos com base de 10 a 12 cm. Dê um pequeno corte na base de cada um e enrole da base para a ponta, sem apertar, deixando a ponta por baixo.
  7. Pincele com ovo batido, sem escorrer nas laterais cortadas (cola as camadas e trava o crescimento). Deixe fermentar 2 a 3 horas a 24 a 26 °C, longe de corrente de ar, até quase dobrar e balançar quando você sacode a assadeira.
  8. Pincele de novo com ovo e asse a 200 °C, forno bem preaquecido, por 15 a 20 minutos, até dourar bem e o centro marcar 88 a 96 °C. As camadas têm que aparecer no corte. Esfrie sobre grade.

A farinha certa

O croissant pede uma farinha que faça duas coisas ao mesmo tempo: ter força para segurar dezenas de camadas e ser extensível o bastante para abrir fino sem encolher nem rasgar. Na França isso é a T45 ou a T55, de preferência as versões de força (de gruau), com W médio a médio-alto.

Fora da França, uma bread flour de proteína moderada resolve bem. Veja a nossa ficha da bread flour em /farinhas/bread-flour/ para entender a força que você precisa. Uma farinha muito forte, tipo manitoba pura (/farinhas/manitoba/), resiste na hora de abrir e faz a massa encolher; se só tem manitoba, corte com farinha comum para baixar a força. Farinha fraca demais não segura a laminação e o croissant murcha.

A história

O croissant tem sotaque francês, mas nasceu vienense. O ancestral é o kipferl, um pãozinho em forma de meia-lua que a Áustria comia desde a Idade Média, denso e enriquecido, sem nenhuma folha.

A virada acontece em Paris. Em 1838 ou 1839, o austríaco August Zang abriu a Boulangerie Viennoise na rue de Richelieu e apresentou aos franceses o kipferl e o pão vienense. Os padeiros locais copiaram, rebatizaram pela forma de crescente e, aos poucos, trocaram a massa de brioche por uma massa folhada com fermento.

O croissant moderno, laminado e leve, é do início do século XX: a receita mais antiga que se conhece é de 1905, e em 1915 Sylvain Claudius Goy registrou uma versão de pâte feuilletée levée já muito próxima da atual.

O que define

Um bom croissant se reconhece pelo som e pelo corte. A casca estala e solta lascas quando você morde, e o miolo, por dentro, mostra um favo de camadas finas, não uma massa fofa e uniforme.

A seção transversal é o retrato honesto da laminação. Você deve enxergar as voltas: paredes de massa separadas por vazios onde a manteiga virou vapor e empurrou uma folha contra a outra. Miolo apertado e gorduroso quer dizer manteiga que derreteu na hora de abrir; miolo de pão quer dizer poucas camadas ou fermentação de menos.

Por fora, o croissant de manteiga pura é reto por convenção francesa (o formato curvo costuma sinalizar margarina), tem brilho de ovo e cor de avelã.

Como a massa se comporta

A técnica que define o croissant é a laminação: prender um bloco de manteiga dentro da massa e abrir e dobrar várias vezes, criando dezenas de camadas alternadas de massa e gordura. Três voltas simples geram 27 camadas de manteiga, o bastante para folhar sem virar mil-folhas.

A temperatura é tudo. Massa e manteiga precisam ceder juntas: se a manteiga está dura, ela racha e fura as folhas; se amolece, funde na massa e você perde a separação. Por isso se trabalha frio e se descansa na geladeira entre as voltas.

Quanta manteiga prender divide os padeiros: a regra de bolso francesa fala em cerca de um quarto do peso da massa, o que dá perto de metade do peso da farinha, enquanto receitas caseiras vão de 40% a 56% da farinha. A fermentação final é o outro ponto delicado: ela tem que ficar abaixo do ponto de derretimento da manteiga, perto de 24 a 26 °C.

Variações

O primo mais famoso é o pain au chocolat, a mesma massa laminada enrolada em torno de duas barras de chocolate, retangular em vez de crescente. O croissant aux amandes recheia os croissants do dia anterior com creme de amêndoa e volta ao forno, salvando os que endureceram.

Há ainda o croissant de fermento natural, com levain no lugar do fermento biológico, mais ácido e de conservação um pouco melhor.

Na Itália, o parente próximo é o cornetto, e não é a mesma coisa: leva mais açúcar e ovo, costuma ser menos folhado e mais macio, e quase sempre vem recheado. Croissant e cornetto compartilham a forma, não a fórmula.

Onde se erra

O erro que mais estraga croissant em casa é a manteiga na temperatura errada. Fria demais ela racha e some entre as folhas; morna demais ela funde na massa e o croissant assa como um pão gordo. Trabalhe rápido e volte à geladeira sempre que a massa começar a suar.

O segundo é abrir a massa com força e pressa, o que rasga as camadas e faz a manteiga vazar. Abra em movimentos firmes e iguais, girando a massa, e deixe descansar se ela resistir.

O terceiro é fermentar quente demais, achando que apressa. Acima de 28 °C a manteiga derrete antes do forno e você vê a poça na assadeira, e o croissant sai encharcado em vez de folhado.

Perguntas frequentes

Posso fazer croissant em um dia só?
Dá, mas é corrido. A détrempe pede 1 hora de geladeira e cada volta mais 30 a 45 minutos de descanso frio. Sem esses intervalos a manteiga funde. Espalhar em dois ou três dias deixa tudo mais fácil.
Que manteiga devo usar?
Uma manteiga com pelo menos 82% de gordura, de preferência a chamada manteiga de tourage, que é mais plástica e aguenta ser aberta sem rachar. Manteiga comum de supermercado tem mais água e trabalha pior, mas serve se estiver bem gelada.
Meu croissant vazou manteiga no forno. Onde errei?
Quase sempre a fermentação foi quente demais ou longa demais, e a manteiga derreteu antes de assar. Fermente perto de 24 a 26 °C e pare quando o croissant balançar como gelatina.
Por que o meu ficou com miolo de pão, sem camadas?
Ou as camadas se colaram (manteiga que amoleceu e fundiu na massa), ou você abriu apertando demais e expulsou o ar. Trabalhe frio e confira se dá para ver as voltas na lateral antes de assar.

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