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Biga e Poolish para Pizza: Mais Sabor Sem Comprar Nada

Biga e poolish são dois tipos de pré-fermento: você separa uma parte da farinha e da água, mistura com uma pontinha de fermento e deixa fermentar antes, de um dia pro outro, e no dia seguinte junta isso ao resto da massa. Os dois fazem o mesmo trabalho, dão sabor mais profundo e uma massa mais leve e fácil de abrir, e a diferença principal está na quantidade de água. O poolish é líquido, com 100% de hidratação, partes iguais de farinha e água. A biga é rígida e esfarelada, com cerca de 45 a 50% de hidratação. Nenhum dos dois exige comprar nada que você já não tenha na cozinha, e é justamente esse o charme: uma pizza melhor pelo preço de um pouco de planejamento.
Se você já fez massa direta algumas vezes e quer subir um degrau, é este o próximo passo. Antes de tudo, uma ressalva importante: pré-fermento não é a mesma coisa que fermento natural ou massa madre, que dependem de uma cultura selvagem e são outro assunto. Aqui usamos o fermento biológico comum, só que numa fração pequena e com tempo a favor. Este texto é um dos caminhos dentro do guia completo da massa de pizza caseira; aqui o foco fica só no pré-fermento, pra você montar um, acertar o ponto e somar à sua receita sem chute.
Biga ou poolish: qual escolher, e por quê
Os dois se comportam de um jeito diferente na tigela e na boca. O poolish é mais tolerante e fácil de misturar, e tende a dar um miolo mais leve e arejado, com notas amanteigadas e de castanha, o que faz dele o mais amigável pra uma primeira tentativa (Ooni). A biga é mais firme e dá um pouco mais de trabalho pra incorporar, e puxa pra uma estrutura mais forte e mastigável, com sabor mais marcante. Boa parte da pizza italiana em forma, a famosa pizza in teglia, é construída sobre biga exatamente por isso.
| Poolish | Biga | |
|---|---|---|
| Hidratação | 100% (farinha e água em partes iguais) | 45 a 50% (rígida, esfarelada) |
| Textura do resultado | Mais leve, aberta, arejada | Mais estruturada e mastigável |
| Sabor | Suave, amanteigado, de castanha | Mais profundo e marcante |
| Facilidade de uso | Fácil de misturar e somar | Mais firme, dá mais trabalho |
| Boa primeira escolha | Sim | Depois que pegar a mão |
Nenhum dos dois é obrigatório pra uma boa pizza. Mas, se a sua massa direta já sai gostosa e você quer mais sem trocar de farinha nem comprar equipamento, o pré-fermento é o salto de qualidade mais barato que existe.
Quanta farinha fermentar antes
Você não pré-fermenta toda a farinha, só uma parte dela. O resto da farinha, mais o sal e um pouco mais de fermento, entra no dia seguinte. Uma faixa comum de trabalho é usar de 20 a 50% da farinha total da receita no pré-fermento, e quanto mais tempo você planeja deixá-lo fermentando, menor deve ser essa fatia (pizzablab). Um poolish curto, feito na mesma manhã, aguenta carregar mais farinha; um pré-fermento que vai passar a noite ou mais tempo deve carregar menos, pra não se esgotar antes de você misturar a massa final.
Comece modesto. Um pré-fermento montado com cerca de 30% da farinha total é um primeiro ponto de partida confiável (pizzablab): é o bastante pra sentir a diferença, sem tanto que uma leve passagem de ponto estrague a fornada inteira.
Quanto fermento, e por quanto tempo
Esta é a parte que quase todo mundo erra. Um pré-fermento pede só um sopro de fermento, porque tem horas pela frente pra trabalhar. Quanto mais fermento você põe, mais rápido ele chega ao ponto, então a dose é escolhida em função do tempo que você tem. Os números abaixo são para fermento fresco (o em tablete), medidos sobre a farinha do próprio pré-fermento, em temperatura ambiente normal:
| Tempo até o ponto | Fermento fresco (sobre a farinha do pré-fermento) |
|---|---|
| Cerca de 4 horas | ~1,5% |
| Cerca de 8 horas | ~0,75% |
| Cerca de 12 horas | ~0,2% |
| Cerca de 16 a 18 horas | ~0,1% |
Essas são as faixas padrão de pré-fermento (pizzablab). Aqui vale um aviso que faz muita diferença no Brasil, onde o fermento biológico seco é o mais fácil de achar: o seco é cerca de três vezes mais forte que o fresco por peso. Se for usar o seco, use mais ou menos um terço desses números. E lembre que uma cozinha quente acelera tudo, então, no calor do verão, puxe pra dose menor ou pro tempo mais curto.
Como saber que chegou ao ponto
O pré-fermento está pronto quando cresceu, cupulou, ficou coberto de bolhas e está começando a ceder no centro. Essa leve afundada é o sinal: o fermento chegou ao pico e o sabor já se desenvolveu, mas o glúten ainda não começou a se degradar (Ooni). Um poolish nesse momento parece espumoso e frouxo, tem cheiro adocicado e levemente de vinho, e mostra a superfície marcada ou recuando no meio. É aí que você pega.
Não deixe passar muito desse ponto, ainda mais com uma fatia grande de farinha pré-fermentada. Um pré-fermento passado perde força, o glúten se degrada, e você fica com uma mistura mole e aguada que rende uma massa fraca e difícil de trabalhar (Ooni). Se a vida atrapalhar e ele passar do ponto, não é o fim do mundo pro sabor, mas espere uma massa final mais frouxa: trate ela como mais úmida e asse mais cedo. Se precisar segurar o pré-fermento, a geladeira desacelera tudo e compra algumas horas.
Montando um poolish, passo a passo
- Misture. Num pote transparente, junte pesos iguais de farinha e água mais a sua dose de fermento pro tempo que você quer. Mexa até virar uma mistura lisa e grossa. Não precisa sovar, ainda não há glúten pra construir.
- Marque o nível. Um pedaço de fita no pote mostra num olhar o quanto ele cresceu. Você está de olho no crescimento, na cúpula e no primeiro sinal de afundar.
- Espere em temperatura ambiente. Cubra sem fechar demais e deixe descansar. Dependendo da dose de fermento e da sua cozinha, isso vai de algumas horas a uma noite inteira.
- Use na virada. Quando estiver borbulhante, cupulado e começando a afundar, está pronto. Se você realmente não puder misturar na hora, a geladeira segura o ritmo por um tempo.
A biga segue a mesma ideia com bem menos água: misture a farinha com água só o suficiente pra formar uma massa grosseira e esfarelada, quebre em pedaços pra não ficar um bloco único e apertado, e deixe fermentar do mesmo jeito. Ela não vai ficar espumosa como o poolish; em vez disso, incha e amacia.
Somando o pré-fermento à massa
No dia seguinte, junte o pré-fermento no ponto ao resto da farinha, à água que faltava, ao sal e a uma pequena quantidade de fermento extra, depois misture e sove como de costume. Dois detalhes práticos ajudam bastante. Primeiro: segure um pouco da água da mistura no começo e vá acrescentando conforme a massa pede, porque o pré-fermento muda o jeito que a massa absorve água e você quer sentir o ponto pelo tato. Segundo: como o pré-fermento já entra com fermentação ativa, o crescimento em bloco da massa final anda mais rápido que o de uma massa direta, então observe a massa, não o relógio. Dali em diante é a sua rotina de sempre: crescer em bloco, dividir, bolear e fermentar as porções.
Perguntas frequentes
Qual a diferença entre biga e poolish? É principalmente a hidratação. O poolish é uma mistura líquida com 100% de hidratação, partes iguais de farinha e água; a biga é um pré-fermento rígido, em torno de 45 a 50% de hidratação. O poolish dá um miolo mais leve e arejado e é mais fácil de usar; a biga dá um resultado mais estruturado, mastigável e de sabor mais marcante.
Quanto pré-fermento devo usar na massa de pizza? Fermente antes de 20 a 50% da farinha total, e comece por volta de 30% (pizzablab). Quanto mais tempo você planeja fermentar o pré-fermento, menor a fatia, pra ele não se esgotar antes de você misturar a massa.
Quanto fermento vai num poolish? Só um traço, dosado pelo tempo. Para fermento fresco sobre a farinha do pré-fermento, algo em torno de 1,5% para um crescimento de 4 horas, caindo pra cerca de 0,1% em 16 a 18 horas (pizzablab). Se usar fermento biológico seco, use mais ou menos um terço disso, porque o seco é cerca de três vezes mais forte por peso.
Como sei que meu poolish está pronto? Quando estiver cupulado, borbulhante e começando a ceder no centro, com cheiro adocicado e levemente de vinho. Essa leve afundada é o pico (Ooni). Depois dela, o pré-fermento enfraquece e rende uma massa mole.
Dá pra usar fermento natural ou massa madre no lugar? São coisas diferentes. Biga e poolish usam o fermento biológico comum numa fração pequena; fermento natural e massa madre dependem de uma cultura selvagem de leveduras e bactérias e mudam o modo de trabalhar a massa. Se o seu objetivo é só mais sabor sem começar uma cultura do zero, o pré-fermento é o caminho mais direto.
Posso fazer massa de pizza com biga se nunca usei uma? Pode, mas o poolish é o pré-fermento mais fácil pra começar, porque mistura e se incorpora sem drama. Depois que você pegar a mão, a biga recompensa com mais mordida e um sabor mais profundo, e é por isso que tanta pizza italiana em forma nasce dela.
Depois que você roda um pré-fermento uma ou duas vezes, ele deixa de parecer um passo a mais e passa a parecer o motivo de a sua pizza finalmente ter gosto daquela casa boa do bairro. Misture um pote hoje à noite, asse amanhã, e deixe o tempo fazer o trabalho pesado por você.
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